NESTA QUARESMA SOMOS DESAFIADOS À «LOUCURA DE SEGUIR JESUS»

4 03 2010

A Quaresma é um tempo especial para a conversão mas também para a reflexão sobre a nossa vivência de fé e foi nesse espírito que se realizou, mais uma vez, o Encontro de Aprofundamento da fé organizado pela ACR. Esta actividade anual do movimento teve lugar na Casa do Oeste no dia 21 de Fevereiro e nela participaram 65 pessoas.

Pobreza, um desafio a todos nós foi o tema, o mote a partir do qual nos deixámos interpelar. Iniciámos com a leitura em conjunto do Salmo 138 e pouco depois, o Dr. Henrique Pinto (Presidente da Associação CAIS) foi-nos mostrando «a loucura de Jesus de Nazaré», não sem antes, em jeito de introdução, nos ter dito que “ o combate à pobreza passa por aquilo que aprendemos em casa e na escola, na justa medida em que formos educados virados para o outro e não para o umbigo” e ainda: “somos o que «comemos» e «bebemos» em pequenos”.

Henrique Pinto mostrou-nos o Sepulcro vazio. E este vazio remete-nos a nós para a impossibilidade de Deus: não O vejo, não posso provar que existe mas acredito. Provámos essa «loucura» reflectindo sobre 5 princípios primordiais para as nossas vidas (e para a vida do mundo): a Justiça, o Dom, o Perdão, a Hospitalidade, o Amor. Desta experiência ressaltam algumas constatações que nos ajudam mas que ao mesmo tempo nos perturbam: na conversa em grupos sobre estes princípios fomos convidados a utilizar o confronto com a Palavra das Escrituras para aferir os nossos próprios comportamentos:

Justiça: fazemos (ou tentamos fazer) Justiça através do Direito, das leis. Mas a Justiça está muito para além da lei. Podemos cumprir as leis e não produzir Justiça. Mas temos sempre que procurar melhorar (Dt.24,12-22). Já no Antigo Testamento as Exortações e demais orientações legais visavam reforçar o amor ao próximo;

Dom: muitas são as vezes em que damos, damos coisas materiais, que até nos aliviam a consciência, mas seria necessário que nos déssemos mais. Nas nossas dádivas vai implícito o débito, pois o outro vai sentir-se em dívida. Mas Jesus (Lc 6,27-35) leva-nos ao despojamento incondicional, a dar a outra face, o resto da capa, a amar o inimigo;

Perdão: quando perdoamos? Não é a qualquer um e é mediante pressupostos de arrependimento, mudança de vida e penitência, portanto com regras. Em Jesus (Lc. 15,11-31) o perdão é total e louco, ao ponto de perdoar, sem condições, a quem lhe provocou a morte;

Hospitalidade: quem convidamos para a nossa casa, para a nossa mesa? Quem nos visita? Geralmente convidamos aqueles de quem gostamos e não gostamos muito de surpresas, de sermos invadidos…Em Jesus (Lc. 14,12-13) acolhemos Todos, a começar por aqueles que não podem retribuir o convite; não têm tecto ou qualquer riqueza e são marginalizados pela maioria;

Amor: na maioria dos nossos comportamentos amamos tentando fazer os outros felizes. Em Jesus (Cor. 13,1-13) amamos o que nos escapa, amamos o impossível, a loucura.

Depois do apetecido almoço e de uma visita às obras de ampliação da Casa do Oeste, reflectimos a partir do artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Fundamentais. Rapidamente percebemos que não nascemos, nem iguais nem com os mesmos direitos e a mesma liberdade, pois os contextos condicionam-nos. Nascemos iguais sim na fragilidade de pessoa humana e com a certeza da morte.

Para sermos de facto iguais precisamos de Segurança e Oportunidades.

O Henrique deixou duas provocações concretas, que não considera demagógicas mas sim sinais para os outros, neste contexto de ano dedicado à erradicação da pobreza: abdicar de um mês de salário em favor de uma causa; abdicar de um aumento de salário em favor do funcionário com o ordenado mais baixo na empresa. Explicou-nos um pouco do trabalho que faz a Associação CAIS junto dos pobres e sem abrigo e ajudou-nos ainda a perceber que a vocação de todos nós, humanos, é cuidar: “cuidarmos uns dos outros para podermos dar uma forma (e não formatar) ao SER que queremos SER. -“ Ousem ser loucos”, terminou o nosso orador.

A Celebração da Eucaristia foi o culminar desta jornada que nos enriqueceu e nos devolveu à realidade que precisa desta loucura de seguir o Mestre despojados de todas as coisas que nos “atrapalham” o caminho.

Tiago



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