É POSSÍVEL A ESPERANÇA

5 09 2009

34ª SEMANA DE ESTUDOS RURAIS

“CAMINHOS PARA UMA MAIOR HARMONIA SOCIAL E AMBIENTAL”

“É possível a Esperança”

Na Casa do Oeste, em Ribamar da Lourinhã, a Acção Católica Rural congregou 56 participantes na 34ª Semana de Estudos Rurais (de 23 a 27 de Agosto/2009) com o objectivo de procurar “Caminhos para uma maior harmonia social e ambiental”. A economista, Manuela Silva, aprofundou as razões históricas do actual contexto mundial, as dimensões do problema ao nível do nosso País; as repercussões e desafios que se colocam ao nível local nas suas diferentes dimensões: social e ambiental, económica e política…

Abriu portas para compreendermos a economia e a sociedade do nosso mundo em mudança. Apresentou algumas chaves de leitura sobre as transformações, factores e elementos da sua dinâmica. Procurou também identificar alguns instrumentos que nos habilitem a contribuir para uma transformação desejável que vá no sentido da justiça, da paz, da fraternidade, dos grandes valores evangélicos que nos movem.

Os factores apontados foram: a população sempre crescente; a sua mobilidade com a emigração; o desenvolvimento de níveis de riqueza muito desigual, perante o cenário da fome. Ora a desigualdade gera tensões e conflitos potenciais. Se nada se fizer para contrariar esta tendência, nós podemos esperar por uma era de tensões e violência, de que já temos sinais. Eis aqui um desafio importante.

Abriu-nos algumas pistas:

– Perante a economia global é necessário criar uma autoridade que melhore o sistema financeiro e que oriente o desenvolvimento para ultrapassar a onda liberal.

-É necessário que todos colectivamente comecemos a pensar na democratização da economia, porque é ela que de alguma maneira comanda e determina a própria organização da sociedade e a nossa vida colectiva e pessoal. É pois indispensável que se mude o conceito de “empresa”, que deixe de ser fundamentalmente um capital de que os gestores têm que dar conta maximizando o lucro, mas seja uma actividade social de que os gestores têm de dar conta simultaneamente aos trabalhadores, aos accionistas,  aos seus clientes, aos seus fornecedores e à sociedade como um todo onde a empresa está implantada e em que o capital humano também seja tido em conta.

A última encíclica do Papa também já fala em democratizar a economia. Fazendo uma análise aos problemas: a globalização, as desigualdades, os modelos de desenvolvimento, consumismo, etc… traz propostas concretas quer da regulação do sistema mundial, quer a nível local e novas figuras de empresa: empresas de comunhão, sociais, solidárias…

– Quanto ao desenvolvimento local, há um espaço de intervenção, que organizado pode trazer novas formas de bem-estar, propiciar outro tipo de empresas e pode desenvolver iniciativas, empreendedorismos que permitam satisfazer as novas necessidades para as quais esta economia globalizada não dá resposta.

É preciso começar pela base, a olhar a organização da actividade económica com outros olhos e com outro espírito.

Seis grupos de trabalho reflectiram sobre quais os desafios mais importantes para Portugal e qual o contributo dos cristãos e suas comunidades, na construção de uma sociedade mais justa, promotora de um modelo de desenvolvimento sustentável.

A reflexão de todos os grupos  acentuou a necessidade de se educar para os valores – como a solidariedade, a criatividade e a responsabilidade; denunciou o seu déficit nos meios da comunicação social, nas relações de trabalho…

Sobra uma pergunta: Como fazer uma educação para os valores numa sociedade altamente mediatizada, com altifalantes de comunicação por todo o lado?…, com mensagens subliminares para as quais muitas vezes não estamos habilitados sequer a discernir., como por  ex. as telenovelas, os programas que os jovens vêem, os jogos que jogam, os programas da Net por onde navegam. Que tipo de valores são transmitidos na Família, na Escola e nos locais de trabalho ? Não são a competitividade e a eficiência, aos quais se sacrificam todos os outros ?

As realidades: a Escola, a Família, o local de trabalho, a empresa, a administração pública, a comunicação social… todos eles são fundamentais porque se interpenetram.

Nós vivemos numa sociedade do materialismo prático que nem sequer se discute. Hoje respiramos esse materialismo, hedonismo, do salve-se quem puder…

É por isso urgente  promover espaços de reflexão que nos ajudem a tomar uma maior consciência destas realidades para contribuirmos para a mudança de mentalidades geradora de umas sociedade mais justa e também criar espaços onde se possam vivenciar os valores por um mundo mais equitativo, mais fraterno e solidário.

Por isso nesta Semana foram apresentadas várias experiências e testemunhos, tais como: A Biofrade, com a agricultura biológica que visitámos no terreno.

A Fundação Solidários: que apoia o desenvolvimento de experiências cooperativas e comunitárias, criando oportunidades para que as crianças, os jovens, os homens e as mulheres sejam protagonistas do seu desenvolvimento pessoal, social e das comunidades, para atingir níveis de bem estar social, cultural e ecológico que respondam às suas aspirações mais profundas, em harmonia com o planeta de que fazem parte.

A Rede Nacional de Consumo Responsável: com estratégias para mudança de hábitos de consumo que contribuem para minorar as situações de desequilíbrios e injustiças, contribuindo para o desenvolvimento sustentável ambiental, através de um consumo mais responsável, consciente e crítico.

O Banco do Tempo que tem por objectivos aproximar as pessoas/quebrar a solidão, ajudar a conciliar a vida familiar com a vida profissional, fazer renascer as relações de vizinhança e aprender a dar e  receber.

O projecto “Igreja Solidária” que visa encontrar respostas, de forma rápida e coordenada, potenciando as capacidades de cada comunidade ou instituição, para não deixar ninguém sem as condições mínimas necessárias de vida.

Cremos em Jesus como nosso Salvador e Salvador de todos; e acreditar n’Ele não nos deixa passivos e indiferentes, mas converte-nos em cidadãos activos por um mundo melhor. Cristo chama-nos a ser semente que cresce (Mt. 13, 31), fermento que transforma (v.33), luz que ilumina (Mt. 5, 14), espada que corta (Mt. 10,34), força que destrói e constrói (Jer. 1, 10). Por nós há que obedecer mais a Deus que aos humanos egoístas (Heb. 4, 19). Queremos ser a Igreja pelos caminhos do mundo libertando-nos da pobreza e chamando os ricos à conversão, em favor do bem comum.

Os valores têm que incarnar. Está ao nosso alcance melhorar substancialmente a qualidade da nossa vida através de uma maior atenção ao desenvolvimento local e do empenhamento na organização dos recursos (de património, humanos, económicos). Porque é que as pessoas hão-de pôr todo o seu dinheiro em depósitos bancários… talvez possam investir em pequenos empreendimentos locais e assumir o risco desses empreendimentos voltados para as necessidades das pessoas e para a produção duma mais valia que traga qualidade de vida ?!

De entre os compromissos assumidos pelos participantes, para apoiar a vivência do que aprenderam destaca-se a criação de uma rede de comunicação e também um Blogue na Net que aborde os conteúdos apresentados e desenvolvidos ao longo desta Semana de Estudos.

Joaquim Batalha


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